A falta de literacia da classe média baixa é, como disse Vasco Pulido Valente, mesmo dramática. A rapaziada, graças à liberdade informativa que hoje existe, desatou a castigar as teclas e a lançar para os feixes hertzianos o que julga ser crítica assertiva e consubstanciada, mas não passa, afinal, de conversa de taberna e das mais fracas, por assim dizer...
A redução dos níveis de cloreto de sódio do pão é uma medida que se aplaude por variadíssimas razões: o sal é uma das principais causas de hipertensão arterial e esta uma das principais causas de AVCs. A incidência de AVCs no nosso país é brutal e representa um custo pesadíssimo nos encargos de saúde; alguém que sofra um AVC, além de ser menos uma força de trabalho contribuinte (e os AVCs aparecem cada vez mais cedo - ver edição recente da revista Visão), pesa sobre a prestação social dos restantes. Ora, tendo em conta que o número de contribuintes para a Segurança Social diminui 'versus' os que dela dependem, o corte no sal do pão é mais do bem visto, é acertadíssimo.
Como a prestação de cuidados de saúde é, cada vez menos, uma garantia assegurada pelo Estado e que as seguradoras de saúde torcem cada vez mais o nariz, pois aplicam a máxima dos hipermercados, recebem muito dos segurados, esmagam valores a pagar aos hospitais privados, é fácil perceber, a lógica do governo ao cortar o sal no pão, ou seja, "estamo-nos nas tintas para a quantidade de sal que está no pão, não queremos é ter de suportar o custo das consequências".
Finalmente, para a malta que escreve sobre a privação de liberdades que julgam representar esta medida governamental, podem fazer duas coisas, uma mais fácil do que a outra: a mais fácil - dirigem-se a uma salina, compram sacas de 50kg de cloreto de sódio e salgam o pão a gosto; a mais difícil - além da primeira, podem ler, a ver se percebem, alguma coisita sobre eugenia. Por causa das liberdades...
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